O primeiro domingo com horário estendido reuniu filas nas barracas de pão de queijo e café coado antes das 8h. A feira de produtores da Praça São Jorge é tradição no bairro há 11 anos, mas passou por período difícil durante as obras na praça e, mais recentemente, pelo encolhimento do horário entre março e maio, quando fechava ao meio-dia por falta de movimento no inverno.

A retomada do horário de verão — das 7h às 13h — foi decidida em reunião da cooperativa de produtores com a associação de moradores. O argumento principal: famílias que trabalham no sábado queriam tempo para comprar no domingo sem pressa, e os produtores precisavam de janela maior para escoar hortaliças colhidas no sábado à noite.

O que encontrar na feira

Entre as 34 barracas confirmadas estão 12 de hortaliças e frutas orgânicas de assentamentos da região metropolitana, seis de laticínios artesanais, quatro de pães e bolos caseiros, três de mel e geleias, além de artesanato e plantas ornamentais. A cooperativa mantém lista atualizada no grupo de WhatsApp da feira e no mural da associação de moradores.

Preços variam conforme a safra, mas produtores consultados pelo Voz disseram que a feira pratica valores competitivos em relação a supermercados da região para itens de temporada — especialmente folhas, tomate e morango. Pagamento aceito inclui Pix, dinheiro e, em algumas barracas, vale-alimentação.

"A feira é onde a gente encontra o vizinho, leva a criança e descobre o que está na estação. Não é só compra — é encontro", disse Helena Rocha, moradora e compradora assídua desde 2018.

Programação cultural

O anfiteatro reformado na praça vai receber apresentações musicais a cada duas semanas, a partir de julho. O primeiro evento confirmado é um duo de violão com repertório de música popular brasileira, no domingo dia 6. A associação de moradores organiza a grade com artistas locais e pede doações simbólicas para cobrir transporte e equipamento de som emprestado.

Para produtores, a programação cultural é boa notícia: edições piloto com música ao vivo registraram aumento de 25% no movimento nas barracas adjacentes ao anfiteatro. A cooperativa negocia com a prefeitura instalação de pontos de água potável e sombra extra com toldos compartilhados nos meses mais quentes.

Regras e organização

A feira funciona com credenciamento anual de produtores — prioridade para quem produz ou transforma localmente. Revendedores não são aceitos, regra que a cooperativa defende para manter a identidade do evento. Barracas de artesanato passam por curadoria da associação de moradores, com limite de duas por edição para não competir com o comércio fixo do entorno.

Estacionamento é limitado nas ruas laterais; a associação recomenda ir a pé, de bicicleta ou transporte público. A linha de ônibus 342 para a 200 metros da praça terá circular reforçado aos domingos a partir de julho, segundo informação da concessionária consultada pela redação.

Ana Beatriz Lima visitou a feira no domingo de retomada e conversou com oito produtores e doze compradores. A sensação geral era de alívio: depois de meses de incerteza, o bairro recupera um ritual que marca o fim de semana de centenas de famílias.

Atualizado em 10 de junho de 2026 — inclusão de informação sobre reforço do ônibus 342.