Na manhã de quinta-feira, a praça do Bairro Verde estava cercada por tapumes parcialmente removidos. Operários finalizavam o plantio de ipês e jacarandás enquanto moradores circulavam pelo canteiro, tirando fotos e comentando a disposição dos bancos de madeira tratada. A cena contrastava com o cenário de um ano atrás, quando o espaço era um gramado mal cuidado, com iluminação quebrada e calçadas irregulares.
O projeto atual nasceu de um processo participativo iniciado em setembro de 2025. A associação de moradores convocou três assembleias abertas — duas presenciais na escola municipal e uma online para quem não podia comparecer. Cerca de 180 pessoas participaram ao longo do processo, desenhando em mapas impressos onde queriam bancos, onde precisavam de rampa e quais árvores preferiam.
O que muda na prática
A praça ganha três caminhos principais em rampa, com inclinação máxima de 8%, conectando a entrada da Rua das Palmeiras ao anfiteatro de degraus baixos no fundo do terreno. A área central permanece aberta para circulação, mas com canteiros elevados que separam pedestres de bicicletas — pedido recorrente de pais que levam crianças ao parquinho reformado ao lado.
A iluminação será feita com luminárias de LED direcionadas para o chão, evitando glare nos apartamentos do entorno. A prefeitura informou que o sistema será ligado por sensor crepuscular, com redução de intensidade após meia-noite — compromisso firmado após reclamações de moradores de edifícios vizinhos em obras anteriores na região.
"Antes a gente atravessava a praça com pressa. Agora dá vontade de sentar cinco minutos no caminho para o mercado", disse Dona Lúcia, moradora há 34 anos na Rua das Palmeiras.
Árvores e clima
As espécies escolhidas — ipês, jacarandás e quaresmeiras — foram votadas em lista curta durante a última assembleia. O paisagista responsável, contratado pela prefeitura, explicou que a seleção prioriza flora nativa adaptada ao clima local e porte médio, para não obstruir a visibilidade da praça. O plantio de 42 mudas deve ser concluído até o final de junho.
Engenheiros ambientais ouvidos pelo Voz destacaram que o projeto inclui drenagem superficial nos canteiros, para reduzir acúmulo de água em dias de chuva forte — problema recorrente no bairro durante o verão. A associação de moradores vai assumir a manutenção dos canteiros após a entrega oficial, com mutirões trimestrais já agendados.
Calendário e próximos passos
A prefeitura informou que a entrega oficial está prevista para a segunda quinzena de julho, com inauguração simbólica aberta ao público. Antes disso, ainda faltam instalação dos bancos, sinalização tátil nas rampas e testes do sistema de iluminação. Moradores pediram que a inauguração inclua apresentação musical no anfiteatro — sugestão que a associação vai formalizar por ofício na próxima semana.
Para a redação do Voz, a praça é um exemplo de como decisões locais, quando abertas ao debate, transformam um espaço comum em referência para outros bairros da região. Acompanhamos cada etapa desde a primeira assembleia e publicaremos atualizações conforme as obras avançarem.
Atualizado em 12 de junho de 2026 — inclusão de detalhes sobre drenagem e calendário de entrega.